. Federação Nacional dos Médicos - SMZC: Encerramento iminente da Maternidade de Castelo Branco
Visita do SMZC ao Hospital Amato Lusitano

SMZC: Encerramento iminente da Maternidade de Castelo Branco

O Sindicato dos Médicos da Zona Centro deslocou-se no dia 15 de Novembro ao Hospital Amato Lusitano para visitar o Serviço de Ginecologia Obstetrícia que está em situação de rutura e em risco de encerramento eminente da maternidade. O SMZC questionou previamente, via ofício datado de 04 de Outubro, o Ministério da Saúde, a ARS Centro e o Conselho de Administração da ULS Castelo Branco que medidas estavam a ser tomadas para acabar com escalas ilegais com sobrecarga dos médicos do Serviço.

Existem situações de médicos a realizar 266 horas de urgência de Ginecologia/ Obstetrícia por mês e situações de urgência de 72 horas consecutivas. Inclusivé um médico com 68 anos e outro com 55 anos na tentativa de sanarem o insanável abdicaram do seu direito de dispenda de trabalho de urgência. Tal como é óbvio tem implicações na saúde dos médicos, que se encontram em exaustão, e no atendimento urgente de grávidas. Do Ministério e da ARS Centro não se obteve qualquer resposta até ao momento. Do Conselho de Administração da ULS de Castelo Branco a resposta foi estarem a fazer todos os esforços para atrair e contratar novos especialistas. No entanto não existem resultados efectivos até ao momento. Tendo sido dado conhecimento da situação a todos os grupos parlamentares recebemos resposta da questão colocada por um deles onde o Ministério da Saúde e a ARS reconhecem “as carências de recursos humanos médicos” e que “ os esforços concursais têm sido infrutiferos”. No entanto não apontam qualquer solução e concluem a resposta considerando o assunto resolvido. Esta situação já se previa desde 2014, data da última contratação de um médico especialista para o Serviço. Os médicos do quadro do Serviço de Ginecologia/Obstetricia estão confrontados com uma situação insustentável que leva os mais jovens a ponderar a saída do serviço por exaustão e incapacidade de exercer a sua profissão em condições de segurança. Desde 2014 que o Serviço além de garantir assistência aos partos também iniciou um protocolo de rastreio ecografico para despiste de trissomia 21 e malformações major no primeiro trimestre para todas as grávidas da região, assim como iniciou cirurgia ginecológica laparoscópica. Tais mais-valias encontram-se em risco de se perderem. A reponsabilidade desta situação não pode ser imputada aos médicos que se têm esforçado além dos limites mas sim imputada aos verdadeiros responsáveis: O Minisitério da Saúde, a ARS Centro e o Conselho de Administração da ULS de Castelo Branco Será que é necessário encerrar a maternidade ou existir alguma complicação num parto ou no seguimento obstétrico até o Ministério da Saúde tomar as atitudes urgentes que se impõem? È urgente uma politica de contratação de médicos para o interior do pais verdadeiramente atrativa com incentivos de facto eficazes e capacidade de captar os novos especialistas.

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